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10 fevereiro 2010

Ser jornalista no Brasil: Tristeza e indignação

Quarta-feira e uma triste noticia: O helicóptero da Rede Record pega fogo no ar e graças a experiência do piloto, o aparelho cai no Jockey Club. Mas o "heroi" não resiste aos ferimentos e falece.
O cinegrafista Borracha está hospitalizado. Penso aqui: era um glamour ser jornalista, lindo maravilhoso. Mas não sei o que acontece, ou há péssimos professores ou a escola básica perdeu seu lugar? Ou as empresas são tão idecentes nas relações de trabalho?
Essas são as condições esdrúxulas oferecidas pelas empreas a um profissional da comunicação. Enquanto o "vice-deus" anda de jatinho, recolhe dinheiro suado de "ótarios " em nome da fé os profissionais andam em equipamentos mal cuidados. Lixo! Acho que o meu futuro será ter a minha empresa e complementar renda numa faculdade de quinta categoria. Viva o mestrado onde em breve vou fazer!

14 janeiro 2010

Ramiro Osório Foneseca fala sobre a expansão do ARTeria no SESC Pompéia

por Roberta Dela Noce

No próximo sábado, dia 16 de janeiro, às 11h, o Teatro do SESC Pompeia recebe o professor colombiano Me. Ramiro Osório Fonseca. Articulador na área e diretor dos principais festivais de teatro ibero-americanos, é diretor geral do ARTeria – rede internacional de centros culturais voltada a promoção de diferentes linguagens artísticas e ao desenvolvimento de novos públicos. Na ocasião, Fonseca apresentará este projeto, sua missão e seus planos de expansão na América Latina, assim como possíveis parcerias no país.

O projeto ARTeria está vinculado ao SGAE [Sociedad General de Autores y Editores], entidade com base na Espanha dedicada à defesa dos direitos de propriedade intelectual de seus mais de 90 mil sócios e três milhões de obras, entre textos de dramaturgia, coreografias, composições musicais, filmes e produções para TV. A SGAE possui 13 sedes e uma rede com 200 representações na Espanha, além de contar com delegações próprias na Argentina, Brasil, Cuba, EUA, Japão e México, tornando-se a entidade líder em repertório latino-americano.

ARTeria configura-se como uma rede internacional de espaços culturais polivalentes voltados para a promoção de diferentes linguagens artísticas e o desenvolvimento de novos públicos. Seu objetivo principal é a promoção e formação de novos autores, contribuindo para a internacionalização do autor/criador e de suas obras, com o estímulo à preservação e recuperação do patrimônio histórico e o apoio à criação, produção, promoção, distribuição e consumo dos diversos conteúdos culturais geridos pela SGAE.


Sobre Ramiro Osório Fonseca:

Professor de Língua Espanhola na Universidade de Guanajuato [México], com tese laureada sobre Metodologia de Teatro Latino-Americano Contemporâneo. É professor e diretor de Teatro na Universidade Javeriana, de Bogotá [Colômbia] e da Universidade de Guanajuato [México], sendo por diversas vezes conferencista internacional.

Diretor Geral da ARTeria desde março de 2009, foi diretor de Cultura da Secretaria Geral Ibero-Americana em Madri [Espanha] e Ministro da Cultura na Colômbia. Também foi diretor de diversos festivais e mostras internacionais de cultura, dança e teatro, além de consultor da Corporação Andina de Fomento na Venezuela.

Participou e faz parte de inúmeros comitês técnicos de diversas instituições culturais em todo o mundo. Participou de diversos júris artísticos e de arquitetura teatral em Cuba, México e Espanha.

Dirigiu na Colômbia, México e em países da América Central mais de trinta obras teatrais de autores clássicos e contemporâneos, como: Bertolt Brecht, Cesar Rengifo, Vicente Huidobro, Jean Cocteau, Manuel José Arce, Edward Albee, Carlos José Reyes, María Clara Machado, Enrique Buenaventura, August Strindberg, Saúl Ibargoyen, Guillermo Schmidhuber, Rodolfo Santana, Vicente Leñero, A.R. Gurney, Terrence McNally, Manuel Puig, entre outros, assim como obras de criação coletiva.

Serviço: SESC POMPEIA REALIZA ENCONTRO COM RAMIRO OSÓRIO FONSECA NESTE SÁBADO
Dia 16 de janeiro de 2010. Sábado, das 11h às 13h.
Teatro [ar condicionado - acesso para deficientes - não temos estacionamento]
Capacidade: 358 lugares. Classificação indicativa: 12 anos
Grátis. Retirada de convites na bilheteria da Unidade, a partir das 10h, no dia 16/01.

SESC POMPEIA
Rua Clélia, 93
Telefone: (11) 3871-7700

Para informações sobre outras programações: 0800-118220 ou acesse o portal: www.sescsp.org.br

18 agosto 2009

Um século de retrocesso

Viva Jorge Amado! Ele tinha razão e sabia descrever bem a relação Estado e Igreja em seus livros e folhetins. Durante os meus achados na internet,especialmente um espaço onde todo o cidadão deveria ler, especialmente os estudantes de comunicação: Observatório da Imprensa.

Mais uma vez, o sábio bom velhinho, Alberto Dines, um super estudioso da Teoria da comunicação, mas os nossos queridos professores não incentivam a leitura desse sítio virtual, caprichou ao escrever o artigo:
Acordo por debaixo dos Panos.

Pois é, o que é bom, os jornais não se interessam para públicar. Agora,os "nó cegos", que tem Z$ilhões para pagar uma assessoria de comunicação ,esses tem "cadeira cativa" nos jornais, com raras boas exceções e talentosos articulistas nos veículos impressos.

Este trecho é ótimo: "Nem a poderosa mídia eletrônica evangélica protestará porque não está interessada no ensino religioso. O que ela deseja é continuar distribuindo aos seus deputados mais e mais concessões de radiodifusão. Esta é a forma com que o governo gerencia o seu laicismo: oferece vantagens às confissões majoritárias e não se importa em atropelar o espírito e a letra da Carta Magna."

Precisa dizer mais?


Coitadinha da * Tia Aurora , que leva um fanelógrafo e uma biblia para dar aulas a algumas pobres crianças brasileiras da Zona Leste paulistana.


*nome ficitício

26 junho 2009

Canudo e competência




Cora Rónai*


“Você tem que escrever sobre esta barbaridade!” – disse o amigo do meu amigo. – “Acabar com a exigência de diploma para os jornalistas... a que ponto chegamos! Agora qualquer um pode ir para a redação e se dizer jornalista. Como é que vai ficar isso?”

Gostei da sugestão; mas minha opinião deixou-o desconcertado. É que sempre fui contra – radicalmente contra – a exigência de diploma de curso superior para o exercício da nossa profissão.

“Então você acha que ninguém precisa estudar para ser jornalista?”

Pelo contrário! Ainda que não entenda o que diplomas têm a ver com estudo, acho que jornalistas precisam estudar muito, e sempre. E acho bom que esqueçam este verbo, “estudar”, em geral ligado a algo que se faz por obrigação. Jornalistas de verdade lêem e se informam contínuamente: por hábito, por segunda natureza, por uma curiosidade intelectual incontrolável que os leva a se interessarem por tudo, ou quase tudo. Diploma não leva ninguém a fazer isso, a ser assim.

O problema é que o Brasil cultiva a noção de que o diploma de curso superior é sinônimo de conhecimento. Como o nosso ensino básico é péssimo, e dificilmente se aprende alguma coisa na escola, sobra a ilusão de que a passagem por uma universidade nos tornaria automaticamente cultos e educados -- e tão superiores aos demais, que passaríamos a ser até merecedores de prisão especial.

É por isso que algumas pessoas insistem em ver, no fim da exigência do diploma, uma espécie de “rebaixamento” da profissão. Elas acham que, se o diploma de jornalismo deixou de ser obrigatório, nenhum diploma (leia-se conhecimento) será necessário. Não pode haver equívoco maior.

A única coisa que o diploma de jornalismo garantiu, até aqui, foi uma reserva de mercado injusta e pouco democrática. As redações vão ficar mais ricas e diversificadas com o fim dessa burocracia anacrônica, que pressupõe que apenas quem fez comunicação está apto a lidar com a informação.

Acontece que o jornalismo é importante demais para ficar restrito a um grupo homogêneo de pessoas, sem a mínima brecha para variações.
* * *
Paradoxalmente, o fim da exigência do diploma deve melhorar muito a qualidade dos cursos de comunicação. Como eles não são mais obrigatórios, precisarão ser suficientemente ágeis e inteligentes para conquistarem os alunos e as empresas de comunicação. Que continuarão, é claro, a recrutar a maior parte dos seus quadros entre os formandos.

Nos últimos dias, tenho visto muita gente lamentando o tempo que perdeu na faculdade para conseguir o diploma; mas qualquer curso que alguém lamenta ter feito não precisava, nem merecia, ter sido feito. E me lembro de Mark Twain, que dizia que nunca deixou sua escolaridade interferir com sua educação.

Outra coisa que ouvi e que encontrei aos montes na internet foi a declaração estapafúrdia de que os cursos de jornalismo seriam imprescindíveis por “ensinar ética”. Como assim, “ensinar ética”?! Ética vem de casa, da vida inteira; não há curso que possa suprir essa lacuna. Meu conselho para quem acredita nisso é esquecer o jornalismo e entrar para a política.

Ser jornalista, enfim, não vai ficar mais fácil. Vai ficar cada vez mais difícil. O que vai ficar mais fácil é se dizer jornalista, mas não vejo em que isso possa diminuir qualquer um de nós. Ser escritor, por exemplo, é para poucos, embora uma quantidade infinita de pessoas bem intencionadas se atribua o ofício. Ter diploma de escritor não mudaria em nada a sua falta de talento. Ou de leitores.
* * *
Recebi um email do dr. Alceu Cardoso, coordenador técnico da Sepda, esclarecendo a ação da secretaria em relação ao assassinato dos gatinhos da prefeitura:

“A Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais, ao tomar conhecimento do evento em questão, prontamente acionou seu staff para as devidas providências conforme sua própria citação.
O técnico (médico veterinário habilitado e capacitado) enviado para primeira inspeção dos cadáveres, de fato atestou lesões compatíveis com agressão. Entretanto, ao contrário do que foi publicado em sua coluna, os corpos dos animais foram enviados para o Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, para que fossem realizadas as necropsias no intuito de se estabelecer a causa mortis, e, posteriormente, se efetuou a cremação sem perder as provas do crime.
A Sepda jamais teria uma atitude leviana de cremar os cadáveres sem que houvesse prévia e criteriosa avaliação e, posteriormente, a conclusão do fato ocorrido. O laudo emitido pelo Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman confirma a causa mortis (lesões traumáticas graves, provavelmente causadas por animal agressor). Quanto à autoria do fato, a SEPDA encaminhou ofício à 6ª DP para registro, averiguação e elucidação de tal ato desumano.”

Fico mais sossegada sabendo que a Sepda está atenta ao caso, mas continuo sem entender como foi possível que quase vinte gatos tenham sido mortos em frente à prefeitura sem que um único guarda percebesse o que estava acontecendo.

*(O Globo, Segundo Caderno, 25.6.2009)

06 abril 2009

Não tem jeito!

Tem que saber digitar. Seu Hilton é um senhorzinho que está na turma de jornalismo da faculdade onde estudo. Tem 59 anos, gosta muito de futebol e acha que é divertido fazer jornalismo. Só não é possível contar com ele para gerenciar um blog, pois não sabe digitar e tem pavor quando o professor de web fala em novas tecnologias.

Logo, pessoas como o personagem acima não terão a minima chance no atual cenário da comunicação. O jornalismo será irreconhecivel, declara Jonathan Mann," jornalista" e ancora da CNN, que foi o titulo da entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo. O sujeito é filósofo e já visualiza grandes mudanças nas próximas gerações de jornalistas.

Diga-se os blogs, twitters, facebook's da vida. Todo mundo produz conteúdo.Logo, é preciso filtrar, poucos espaços virtuais merece destaque e podem se dizer que são bons. A convergência de midias é presente na TV, no impresso, na revista.

A declaração bombástica e real é a que vem a seguir em sua entrevista no Estadão, 06/4/09, Caderno Link. pg L2 :

"...Havia o tempo em que, para falar com Deus, as pessoas precisavam recorrer aos padres da Igreja Católica. Eles tinha o conhecimento, eram os únicos autorizados. Com o tempo e o avançar da História,. todos perceberam que podiam falar com Deus diretamente. Os jornalistas tradicionais seriam os novos padres. Pela internet, no twitter, no Facebook, as pessoas podem falar com Deus sem intermediários. A história mostra que esses jornais e jornalistas serão atropelados."

Coitado do jornalista que não souber digitar, que é o be-a-bá do universo digital. Digitar é como os primeiros passos de um antigo caderninho de caligrafia. Hoje, as crianças querem um notebook, não gostam de escrever no caderno. Caneta e papel parece estar em desuso. Eu, hein!!!