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11 julho 2009

Para quem gosta de literatura e boa música

Poesia boa, música excelente, feita por gente de boa inspiração, esse é Vitor Ramil, gaucho de Pelotas, letrista de mão cheia e com livros excelentes. Recomendo a leitura de Satolep, uma obra literária maravilhosa e ouçam satolep sambatown em parceria com Marcos Suzano, excelente percussionista.Essa é minha fonte de inspiração para aquele "ajuntamento" de palavras que escrevi na sexta-feira.


INVENTO
Vitor Ramil

Vento
Quem vem das esquinas
E ruas vazias
De um céu interior

Alma
De flores quebradas
Cortinas rasgadas
Papéis sem valor

Vento
Que varre os segundos
Prum canto do mundo
Que fundo não tem

Leva
Um beijo perdido
Um verso bandido
Um sonho refém

Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar

Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar

Vento
Que dança nas praças
Que quebra as vidraças
Do interior

Alma
Que arrasta correntes
Que força os batentes
Que zomba da dor

Vento
Que joga na mala
Os móveis da sala
E a sala também

Leva
Um beijo bandido
Um verso perdido
Um sonho refém

Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar

Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar

fonte: http://www.vitorramil.com.br/discos/data/?album=satsamb&tr=02

10 julho 2009

Viagens literárias ao som de Vitor Ramil

Ah, vento que vem das esquinas, das ruas vazias, dos cantos mais distintos, longinquos desse lugar alto e tão distante do marco zero da cidade. Mas esse é o lugar onde nasci, fui criado, brigo por causas, implico com os vagabundos e converso com os vira-latas abandonados.

Boa parte dos amigos vêem a longinqua e tão distante São Mateus como um ambiente feio, horroroso, de gente torta, sem cultura, que apenas queima combustível e joga lixo no meio da rua. Mas neste lugar há ilhas de verde, lugares onde corre o vento, a brisa fria bate no rosto e a presença do eterno, do majestoso toca o coração dessa alma sedenta.


Alma sem água, dependente do ar, e anda ansiosamente até o "buracão da satélite" para buscar ar puro, contemplar o verde e avistar a serra do mar que fica na linha do horizonte. Ah, eu tenho vontade de fugir, de subir sozinho e ficar apenas contemplando e olhar para o meu interior e dizer o quanto preciso e dependo do mestre para prosseguir pelo túnel.


Vento, que dança nas praças, quebra vidraças, do interior das casas, do exterior do ser. A minha blindagem é de má qualidade, uma palavra pode quebrar, despedaçar e ali está o homem, o humano, o doloroso, o sensível, a alma boa, sem maldade, sem violência, que pensa três vezes antes de despir uma dama.