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24 março 2010

São Paulo: casarões, sua gente e boas histórias

Noite maravilhosa de terça-feira e as oportunidades de conhecer novos lugares prosseguem. Dessa vez, o Centro Cultural Rio Verde, um lindo casarão, com muitas árvores onde pude ampliar um pouco mais a minha rede de contatos e fazer possíveis novas amizades.
"...Morena que temperou da flor de...?"
Ontem foi o dia de encontrar uma blogueira super humorada, gosta de salsa, e divulga o seu super trabalho no Diário Salseiro com um história belíssima, apesar de ter encerrado um relacionamento com tanta dor e tristeza. Sim, a mocinha dos cabelos vermelhos e falante está na busca da felicidade e da cura desse mal que até hoje bate profundamente o seu coraçãozinho.
Enfim, ela não faz como certas moças crentes ao por a biblia para esconder a dor ou "travestem-se" de Cristãs, para abafar qualquer desejo alheio em nome de uma instituição ou de uma norma estabelecida por homens, que julgam-se vice-Deuses.
Lanny Gordin
Pude conhecer uma figura maravilhosa e uma lição de superação chamado Lanny Gordin. Um senhor de 59 anos, doente, com serios problemas de saúde mas está na ativa, na lida, com seu instrumento de trabalho - sua guitarra - tocando músicas juntamente com o grupo Kaoll.
Gente verdadeira, honesta e adimitem as suas dores e suas mazelas e não se escondem atrás de um muro religioso institucional. Pessoas com prazer de olhar no olho, ver, saber com quem conversa. Isso é curativo, é prazeiroso. Cansei das conversas verticais e das vãs petições, quero olhar no olho e aprender a conviver com a dor do outro.

03 novembro 2009

Relatos de um jornalista-músico

Manhã inquietante de uma terça-feira de sol. As 10h12 dou uma "olhada" em alguns blogs e o Bem Vindos ao meu Blognight, do contrabaixista e arranjador Thiago Alves me chamou muita atenção.


Lá ele descreve um pouco da sua infância musical quando ouvia musicas do cancioneiro religioso, Gospel e depois conta um pouco da sua entrada no universo "secular", especialmente no jazz e um pouco mais adiante confessa ter "medo" do novo e cita suas referências músicais como Arismar do Espírito Santo e Michel Leme, dois excelentes músicos.


Logo a sua história musical me fez lembrar um pouco a minha. Eu incentivo você, caro leitor, a ler e acessar o blog do Thiago. Confesso que tenho uma trajetória um pouco parecida com a do contrabaixista, mas tenho um histórico de rupturas dentro do meu "universo musical".


Minha mãe é totalmente música gospel, aquelas canções como " Sombras, Deus está nas sombras", lindo, divinal e real. Sim, o Todo Poderoso está nos lugares mais inóspitos da alma. Porém, as canções não são só religiosas, a música não tem religião ou como diz o violonista e compositor João Alexandre: "não existe o Dó Sacro ou o Dó Profano".


Meu pai é uma mescla de Bossa Nova, Sambas , canções de protesto e música clássica. Logo, o patriarca é um sujeito muito instável e isso me provocava um certo repulso e distância de algumas coisas e sempre fiquei em cima do muro, fora as "asneiras" proferidas por alguns religiosos miseráveis na época.


Fui para a escola de música. Uma tentativa frustrante em aprender um instrumento de sopro e comprado de forma errada. Meu pai comprou uma clarinete em Dó maior, quando descobri, através de um professor, o meu sentimento de frustração aumentou tanto e procurei consolo no violão.


Mergulhei de cabeça no violão. Durante as férias escolares passava 5 ou 6 horas estudando e tirando todas as músicas do programa e chegava a comprar algumas partituras, mas não tinha músicos a altura para tocar comigo, uma bosta!


Enfim, a solução dos meus problemas músicais era a mudança de igreja. Mudei, frequentei um templo no ABC, onde tinha um pastor super gente boa, curtia as boas músicas da MPB e alguns clássicos do Rock. Lá conheci algumas figuras como Jorge Camargo, Arlindo Lima, João Alexandre, Gerson Borges e arranjadores, onde detectam sons de zumbidos de insetos como Elly Aguiar e Rogério Miguel.


Como em tudo na nossa vida há um prazo de validade, houve uma super mudança em 2003 e os animos cairam por terra. Mas a minha inquietação e a busca do novo gritou em meu ser e fui frequentar uma igreja em São Paulo e lá conheci outros bons músicos e ensaiei algumas apresentações em bares.Logo, o meu lado jornalista falou mais alto e ingressei na faculdade. Tive que "encerrar "a minha carreira musical em 2006.



Volta




Este ano foi interessante. Tive aulas na faculdade com Mauricio Stycer, repórter especial do IG, escritor, e blogueiro e o blog era a avaliação do curso.Eu e mais 3 colegas entraram nessa história, mas depois do termino da matéria segui sozinho com o espaço virtual onde hoje atinge a casa dos 1000 acessos por mês.




Uma volta ao universo musical, como crítico e jornalista de música. Conheci muita gente e perdi as contas de quantos músicos eu conheço. Enfim, continuo na música.




02 julho 2009

Manézinho*: da infância traumática aos passos de coragem

Vergonha, timidez; ousadia, vontade de mostrar serviço. Essas são as características de Manézinho*, uma criança de rua.Ah, ele sempre estava pelos cantões da cidade, nas esquinas, nos cruzamentos de uma das principais avenidas paulistanas.


Ao abordar um adulto para fazer um pedido ou conversar algo sobre alguma dúvida,o garoto era sempre mal interpretado pelo receptor. As imagens da desconversa, a falta de resposta e distorção da palavra eram muito fortes e provocavam choros intermináveis no menino. Os mais velhos eram os mais estúpidos, detentores da verdade absoluta, os donos da palavra e da razão.


O que Manézinho vai fazer? Xingar um palavrão? Não, não pode! O mandamento moral diz: "Respeitai os mais velhos!" E tem aquela frase: "guarda o teu pé quando entrares na casa do Senhor!" Que droga é essa?? Guarda o teu pé? Tirar o sapato, entrar de joelhos no Tabernáculo divino?. Sim, mas e quando há ruídos na comunicação? Como fazer?

Pois é, falta de respeito é em qualquer lugar. Seja na rua, na igreja; velhinho, diácono - ou garçom de dia de ceia - pastor, é a mesma coisa. Nossa, quantos palavrões Manézinho já proferiu nesses anos de vida.

Essa criança frequentava uma igreja onde um "irmão" - costume dos frequentadores da igreja chamar todo mundo de irmão - falava que Jesus castiga e me mandava lavar a boca com sabão. Sim, ela fez todos os preceitos religiosos e as recomendações eclesiásticas foram atendidas. Mas não resolveu, só aumentou os traumas e quase esteve perto da depressão, graças a religiosidade tupiniquim miserável e fétida.

Manézinho ajudou o "irmão Jair" nas entregas das compras nos domicílios dos clientes do supermercado para defender uns trocados . O "irmão Jair" tinha duas versões: a versão Diácono, oração "poderosa", derrubava o teto. E a versão segunda à sábado, contava piadinha aos colegas de serviço e tinha seus casos extra-conjugais.

"Irmão Jair" era bom de desculpas para a esposa. Dizia que estava fazendo uma oração para a "irmã fulano". Mas Zezinho, investigativo, na dele, sabia toda a história do "poderoso irmão".

E o "guarda o teu pé quando entrares na casa de Deus"? Onde entra? Parece que é vestir um terninho quadriculado e ter a Bíblia como "aparador de sovaco" que é possível entrar no "reino dos céus".

Vida adulta


A criança cresceu, buscou melhoras, ajuda, independência financeira. Superou, mas ela se tornou uma persona non grata em alguns lugares, por ter se posicionado, falado a verdade. Hoje o garoto queima muitas gramas de gás carbônico até um local diferente, onde há pessoas esperançosas em viver um Cristianismo digno, genuíno e sem a religiosidade barata oferecida pelos neo-pentecostais e sem toque de Shoufar após a oração.


Agora , o adulto não leva desaforo para casa. Tem resposta a altura para qualquer momento, mas com sutileza e sem grosseria.Se possível, xinga um palavrão e sem culpa! "Irai-vos, mas não pequeis..." Efésios 4:19.


* nome fictício